11 de jun de 2012

Rosa e Jobim

Música e literatura.
Riobaldo e Matita Perê.
Genialidade ao quadrado.
Sempre fui apaixonada por Tom Jobim. Com dez anos pedi de natal aquele que foi o último álbum dele pro meu pai. Colocava na vitrola sozinha e ficava ouvindo por horas. Por tocar violinos desde os quatro anos adorava as músicas instrumentais do Tom. O universo musical do Tom tão rico não só melódica, harmônica e poeticamente mas também farto de cultura popular, conhecimento botânico e zoológico, com uma visão conservacionista bem a frente do seu tempo. Fez parte da minha vida desde sempre.  

Muitos anos depois li Grande Sertão: Veredas. Não tinha como não me encantar. A obra é absurdamente genial. Sempre tinha ouvido o quão difícil era ler, mas acabei achando muito fácil.   Por sempre ler, ouvir e ver coisas sobre o maestro, sabia que ele gostava muito de literatura e tinha uma predileção por Drummond e Rosa.   Mas apesar da consonância entre as obras de Guimarães e Tom ser explícita eu só fui me dar conta disso hoje, quando assisti ao programa "Mestres da Literatura" sobre o escritor, médico, diplomata mineiro em que Tom é citado várias vezes. "Tom ouviu música em Grande Sertão". Isso me fez procurar mais na internet sobre isso. Compartilho aqui com vocês. 

Um artigo de Heloisa Starling: 

"A musicalidade que se revelou aos ouvidos de Tom Jobim, espalhada por todo o sertão, é consequência do imenso investimento literário realizado por Guimarães Rosa com o objetivo de manipular a sonoridade da língua. Um investimento capaz de deixar claro, para o leitor, o fato de que os grandes conteúdos de sua obra não se resolvem apenas através da linguagem, mas, principalmente, na linguagem."

Mestres da Literatura - Guimarães Rosa:          

Album Matita Perê de 1973 - muito influenciado pela obra de Rosa (e que sou felizarda de ter em LP)

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