24 de mai de 2012

Augusta, me gusta!?

Vamos para rua Augusta. Vamos transgredir e chocar. Vamos nos embriagar, sentir o frio da madrugada. Ver o sol raiar. Não sentir mais nada. Vamos embotar os sentidos. Vamos fugir da realidade. Ah, não. Não é isso. Vamos apenas quebrar regras. Vamos ser deleuzianos. Vamos colocar os óculos da loucura e ver o mundo sob uma ótica narcótica. Vamos engolir muitos litros. Vamos mastigar sementes. Fumar folhas. Vamos cheirar o mundo. Só que no banheiro. Trincar os dentes. Vamos nos juntar aqueles que também precisam fugir da loucura cotidiana. Vamos adentrar a loucura psicodélica. Vamos ignorar o que nossos pais nos disseram. Vamos fingir que não há amanhã. Vamos gastar todo nosso dinheiro. Vamos perder o tato. Vamos desrespeitar. Não só a nós mesmos, mas aos vizinhos, aos desconhecidos e também aos queridos. Vamos esquecer de tomar banho, acordar atrasados e desistir de tudo que for difícil. Vamos evitar pensar. Sem olhar no espelho é menos dolorido. Vamos falar muito, mas fazer muito pouco. Vamos confirmar os estereótipos. Tentar dar cara a dor. Augusta, me gusta? Non, non me gusta...


"Augusta, graças a deus,  
Graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão."


Tom Zé




Vamos usufruir de uma outra Augusta. Subverter esta ordem. Tentar uma nova abordagem. Vamos tomar café e conversar sobre literatura com um amigo. Vamos ao cinema exercitar sentimentos. Vamos apreciar a diversidade humana. Vamos comer bem. Vamos escutar boa música e tomar vinho. Vamos encarar o vazio existencial de frente. Vamos concluir que é necessário sim, às vezes, sofrer pra crescer. Vamos amadurecer às duras penas. Vamos nos dar o direito de encher a cara. Mas só de vez em quando. Vamos correr atrás de sonhos. E tentar dar sentido ao que simplesmente não tem. Vamos nos permitir amar e ser amados. Vamos confiar nas pessoas. E vamos descobrir que ninguém é 100% sincero com ninguém, nem consigo mesmo. Vamos nos decepcionar. E aprender a lidar com mais serenidade com as dores do viver. E com as dúvidas que nos acompanham por todo o caminho. Vamos procurar o caminho do meio e achá-lo estoicamente. Vamos tentar nos conhecer. Aceitar as pessoas como elas são. Aceitar que não temos o controle. Aprender a traçar novas rotas, a caminhar de acordo com o tempo; algumas vezes frio e chuvoso, outras vezes quente e agradável como numa tarde amena de verão.


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