14 de jan de 2012

Reflexões em Memphis

"Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir".
                                                                                                       Clarice Lispector

Ando pensando em muitas coisas ultimamente. Questionado algumas idéias que me pareciam certas no passado. Sinto muita falta do Brasil e da gente conhecida. Mas há alguma coisa dentro de mim sem lugar, que me faz crer, na verdade mais sentir que acreditar, que MEU LUGAR NO MUNDO É EM MOVIMENTO. Cada vez mais tenho a impressão que me estabelecer fixamente em algum lugar, qualquer um, é uma ideia altamente assustadora. Claustrofóbica quase. Minha impermanência mental me faz crer que talvez a impermanência física é o único jeito das coisas se acalmarem dentro de mim. 

Acabo de voltar de Memphis. Após passar 4 meses lidando com o novo todos dias, rever um rosto conhecido, íntimo e principalmente, de alguém com quem tenho alta identificação, foi um alívio incomensurável. Falamos quatro dias sem cessar. Muita conversa jogada fora. Mas muitas idéias prolíficas também, Uma outra pessoa próxima e querida, está embarcando pro Timor Leste, numa missão da ONU. Foi um dos assuntos recorrentes. No início a ideia me pareceu muito louca. Agora tem me atormentado. Porque não?  Quando acabar o doutorado vamos ganhar mais experiencia pessoal, profissional e de quebra conhecer a Ásia. E afinal, pra quem não sabe onde ir, qualquer lugar serve... 

E junto com a visão da estabilidade física vem o ideal da estabilidade amorosa. Conviver de perto no cotidiano de um casamento foi outra coisa que me trouxe muito incômodo. Sempre tive certeza de querer um par. Mas são tanta concessões, tanto desgaste, tantas adaptações, tanta paciência. Tem que ter muito amor, porque sem ele a experiência pode ser aterradora. E amor não é fácil de achar, muito menos de construir. Então talvez seja mais fácil parar de procurar ou esperar e simplesmente ir sem rumo e talvez depois voltar, ou não. Porque no fundo, a terra natal nunca deixa de ser a terra natal. Uma das minhas frases preferidas de Drummond é: "Eu saí de Itabira, mas Itabira nunca saiu de mim." Mas uma vez que você adquire outro olhar não há como regressar. Você se dá conta que é cidadão do mundo e entende que sua casa está em você. A bagagem se resume a toda essa experiência adquirida nas curvas sinuosas da vida. A gente só tem que ter coragem e não olhar pra trás. 

Um comentário:

  1. Quem está indo para o Timor Leste? Quisera eu ter essa vida de itinerante... mal saí da minha "Itabira"....
    Beijos
    Zambe

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