20 de jan de 2012

Quando a vida te da limões, faça caipirinha!


Sinto muito, vou ser reclamona, então se você não quiser continuar lendo pode parar por aqui. A pessoa se esforça pra se manter num frágil equilíbrio emocional pra enfrentar o frio, a distância e a saudade e lá vem bomba. Dizem que o que a gente mais teme e o que acontece com a gente. Pois bem, eu andava evitando pensar em voltar pro Brasil por lembrar da dor de cabeça que vai ser ficar na casa alheia ate achar um lugar pra ficar e depois mudança e adaptação e tudo novo de novo. E agora eis que, sem mais nem menos, minha roommate me liga pra me avisar que meu prédio tava inundado. Um mega cano estourou no quarto andar e a água veio abaixo inundando andar por andar. Resultado: muito estresse, apenas um par de sapatos secos e um colchão de ar na sala de um casal amigo.

O irônico disso tudo e que eu pago mais da metade da minha bolsa pra viver confortavelmente num lugar novo, bonito e aconchegante... E agora foi-se apartamento bonitinho. Sim, eu quis muito morar num lugar muito bom. Ter uma toca bonita, brincar de casinha e arrumar meu ninho, porque eu sabia que seria difícil dar conta  Quando você sabe que vai mudar e que vai ter que passar pela adaptação e pelos sofás de amigos é possível lidar melhor com a situação. Você tem bastante tempo pra assimilar a informação.  Mas quando você não está preparado mentalmente pra isso, aí é foda. Eu não sou um ser super flexível e inteligente emocionalmente. Gosto das coisas programadas (aliás, já tô programando meu bota dentro no Brasil hahaha). Mas na paulada tô tendo que desestruturar essa rigidez de quem constrói um mundinho previsível e aparentemente seguro pra viver.

O ocorrido tem três dias. Já fui lá inúmeras vezes. E cada vez me dá mais vontade de chorar. O chão ainda está molhado, há operários por todos os lados, cheiro de mofo e parece que haverá uma operação de guerra com canos, fios e ventiladores imensos por todos os lados. Quando perguntamos na administração eles dizem que não tem previsão, mas que assim que estiver tudo certo ligam pra gente voltar. Que lindo. Nenhuma palavra ainda sobre indenização. Os operários dizem que podem levar meses, a parte elétrica foi danificada, ainda há água no prédio, as paredes estão molhadas e os fungos proliferam. E a barata tonta aqui não sabe se chora, se procura outro lugar pra morar ou se liga pra mãe. Acaba sempre fazendo o último.

 Tem gente que me disse que vai ser mais história pra contar depois, que vai ser engraçado. Isso não me conforta agora, depois pode até ser, mas agora não tem graça nenhuma... Mas uma coisa que tem me acalentado é lembrar de uma amiga que quando foi fazer pós no Rio, na falta de dinheiro se hospedou por meses no alojamento do fundão. Ou seja, o pessoal que também tava na pindaíba foi solidário e dividiu o pouco espaço com ela, que tinha um colchãozinho e uma malinha. Passou meses assim. Hoje já é doutora e acabou de conseguir uma vaga de professora temporária numa grande universidade. Vitória merecida sem dúvida. Eu, que nunca tive que passar por nada tão ruim, me lembro disso pra tentar amadurecer e ver que minha situação não é das piores. Por fim, a verdade é que quando se tem um objetivo maior todo o resto se torna menor. Mais uma vez vamos respirar fundo (nem que seja 1000 vezes) e seguir em frente. Não nego que estou cansada de levar lambada. Mas não há outra opção. Temos que amadurecer nem que seja na porrada...

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