27 de ago de 2011

Primeira Parada: Miami Beach



Bom, pra quem não sabe vim pro EUA fazer parte do meu doutorado em uma universidade americana (Wayne State University – Detroit –MI). Este é um sonho antigo e ano passado corri feito louca pra dar conta de mandar toda a documentação pra uma bolsa de estudos que seria financiada pela CAPES (governo brasileiro) e pela Fulbright (governo americano). Escolhi essa bolsa porque seriam nove meses (o que acho que pra uma primeira experiência fora do Brasil é suficiente) e porque a bolsa tinha um valor um pouco maior. Porém, o que eu não sabia e dei muita sorte nisso, é que essa bolsa é tremendamente prestigiosa no EUA e que ela me daria um suporte muito maior pra vir, em termos de logísitca. A Fulbright na verdade é uma network de pessoas do mundo todo que vem ao EUA estudar e de americanos que saem do seu país para estudar fora. No Brasil já foi ótimo ter o apoio do staff da Fulbright em Brasília e também conhecer os Fulbrighters brasileiros. Eu já tinha comprado minha passagem pra Detroit quando me convidaram pra um gateway em Miami.  Ocorreram vários gateways em todo o EUA e neles gente do mundo todo é recebida e pode interagir entre si e receber instruções sobre a bolsa, a cultura americana e como se integrar a ela. No Brasil essa possibilidade de bolsa é pouco conhecida e é uma pena que as pessoas não saibam. Deixo aí a dica, especialmente aos meus amigos pós-graduandos.

Esta recepção em Miami superou todas as expectativas. Foi MUITO melhor do que eu podia esperar. Cheguei tão cansada após quase 24 horas de espera e viagem que estava com um pouco de mau humor e dor de cabeça. Morri de medo da imigração, por causa das pessoas da linha aérea. Mas passei rapidamente por tudo e assim que cheguei do lado de fora, vi um cara alto e loiro com pinta de cidadão do mundo. Era Per, o sueco com quem eu tinha combinado de dividir o táxi por email. Ele é muito simpático e inteligente (além de lindo!). Fizemos o trajeto todo conversando animadamente sobre o Brasil, a Suécia e política. Jornalista literário e fotógrafo, já viajou por muitos lugares e ano passado morou em Bangladesh. Minha impressão sobre ele (e outros homens que conheci antes) é que todo cara que viaja muito e é aberto, acaba virando um pouco brasileiro, se é que vocês me entendem (risos). Essa é só uma prévia de como eram os 65 Fulbrighters que estiveram aqui. Gente bonita, culta e inteligente de todo mundo. Parecia que eu poderia falar com todos eles em português. Nos sentimos muito próximos e tivemos ótimos momentos juntos. O grupo era tão animado e barulhento, que poderíamos dizer que eramos um bando de brasileiros. Isso me fez sentir em casa.

 O nosso hotel foi O Holliday Inn na avenida em frente a Bayside (porto). Minha colega de quarto foi uma japonesa, Shisato, que logo no início foi muito gentil e disse que estava super feliz de dividir o quarto com a menina que começou a troca de emails pela internet com o grupo (eu mandei um email para todos, para que nos apresentássemos primeiro pela internet). Muitos me cumprimentaram por ter feito isso (eu já tinha feito isso no Brasil também).  Logo depois tivemos uma breve apresentação e um jantar (toda comida até agora tem sido surpreendentemente boa... espero que continue assim). Conhecemos as professoras que cuidaram de todo o cronograma, Maureen O’Hara e Dorothy. Ambas já viajaram pra muitos (muitos mesmo) países e foram maravilhosas conosco. Mas a Maureen, meu Deus, que mulher animada!!! Elas nos levaram a lugares maravilhosos! Fizemos um passeio de barco e vimos a casa de vários famosos (a maioria de um mau gosto terrível). Jantamos em churrascaria, fomos à praia (a água é quente, agradabilíssima!) e lá tivemos um churrasco americano (hamburger e hot dog), mas o local, Nikki beach, era simplesmente divino, é até difícil de descrever. Eles realmente nos trataram com toda a pompa. Miami é muito limpa, bonita, incrivelmente quente e tem muitos latinos! Só de olhar por cima no avião e ver as casas assimetricamente arranjadas, me impressionou, nunca tinha visto isso nem na Europa. Mas os próprios americanos nos avisaram que é uma cidade diferente do resto do país. Acredito que disseram isso por causa da enorme miscigenação e tolerância que a cidade tem é a causa da diferença.  O bom é que o choque foi menor pra mim.

A programação do gateway foi bem apertada, acordávamos cedo e tínhamos que ir pro Miami Dade College, a maior faculdade do EUA em número de alunos presenciais. Lá tivemos muitas palestras interessantes, a maioria com uma cara bem americana: como alcançar seus objetivos, como ser um líder, como funciona o sistema político no EUA, como reconhecer o choque cultural e como passar por ele, como funciona nosso plano de saúde, como administrar melhor seu tempo, como funciona o sistema educacional americano e por aí vai. A aula que mais amei foi sobre jazz com direito a um trio tocando na sala pra nós. Fantastique. Fizemos também muitas dinâmicas e tivemos muita discussão em sala. Eles deixaram bem claro que querem que sejamos líderes e blábláblá. Devo confessar que tudo isso é um bom jeito de se preparar pra vida aqui eu acho. Além disso, é bom ser encorajado. Devo dizer que me virei bem com o inglês. A maioria dos alunos fala muito bem a língua. Além do gateway, que nem todos os Fulbrighters tem a sorte de participar, futuramente haverá seminários em várias cidades e talvez sejamos chamados pra participar. E também pra falar sobre a vida no EUA pra outros alunos que virão futuramente. Já estou torcendo pra ser convidada!

Agora tenho que falar das pessoas! Quanta gente interessante. Fiquei apaixonada pela Majo da Guatemala. Uma baixinha espoleta que canta e desenha super bem além de um coração enorme. É antropóloga e está indo fazer mestrado em Denver. Sam da Índia é biólogo (trabalha com tigres), já tem doutorado e muito gente boa. Andrea e Florian, os alemães desajeitados e tímidos, mas muito queridos. Mabingo de Uganda que foi o showman da trupe. Vai estudar em NY dança. Aliás, os africanos foram um show à parte e pude descobrir de onde vem toda a alegria brasileira. Rasha, psicóloga falante, the party girl, vocês não podem crer de onde era: da Jordânia!!! O pessoal das arábias também é incrivelmente festeiro. O legal que os meninos me disseram que eu parecia uma mulher de lá (o que eu já sabia). Houssein do Egito me disse que se me visse na rua teria certeza que eu era sua colega de classe. Os Europeus (além dos alemães também tinha gente da Hungria, Bulgária, Holanda, República Tcheca, Turquia, Andorra e Espanha) não são tão espontâneos, mas estavam muito abertos também.  Os asiáticos são super tímidos, mas muito doces. Amei Jack, da Tailândia, ele parece uma criança falando, uma piada. A galera da América hispânica muito cool. Tínhamos representantes do Chile, México, Peru e Uruguai. De Israel tivemos Yael e devo dizer que ela é a cara da Norah Jones.

Do Brasil, além de mim haviam mais dois. O veterinário Rodrigo carioca, mas que faz doutorado em Fortaleza e vai pro Mississipi e a filha da ECA-USP, Paula, que é roteirista de cinema e vai pra Boston fazer mestrado. Eu e a Paula nos demos muito bem, ela é uma gracinha hype de São Paulo e tivemos a impressão de desapontar a galera como representantes brasileiras. Acho que eles esperavam mulatas que sambassem bem e encontraram duas branquelas meio nerds. Mas tudo bem. É bom para o povo ver que não só de bunda vive o Brasil. Além de nós, tinha Agatha, uma moça linda de Angola com quem também podíamos falar português. A diversidade do grupo foi impressionante e a nossa sintonia também. A maioria das pessoas vai pra Boston ou Nova York, e infelizmente ninguém deste grupo vai pra Detroit. Mas acho que vou manter contato com muitas dessas pessoas e pretendo ir visita-las. Muitos me prometeram ir ao Brasil também. Fiz questão de divulgar a cultura de nosso país. Para Felipe, da Espanha, que vai estudar direção de cinema em NY, fiz uma lista de filmes, diretores e atores do Brasil. Falei do Festival de Tiradentes e ele está bem animado a ir. Pra Sahín, estudante de literatura da Turquia, fiz outra lista, mas de autores brasileiros e portugueses. Fiquei de mandar lista de sites, de música e até de lojas!

Devo dizer que havia muitas mulheres lindas e com roupas e acessórios incríveis. Adorei ver os modelitos, sapatos e bolsas. Os rapazes, também estilosos, mas bonitos mesmo só um moço do Líbano e o sueco. Mas, aquela história, mais mulheres que homens e quando estes sabem que são bonitos e disputados pelas mulheres acabam se sentindo a última bala chita do pacote. Uma impressão que tive é que todos eram bem globalizados e mesmo as pessoas dos países pobres, já viajaram bastante e provavelmente são da elite de seu país. Infelizmente, dinheiro ajuda muito a você se tornar uma pessoa bem educada em todos os sentidos. Viajar, comer bem, ter acesso a cultura e educação, tudo isso é fundamental na formação de uma pessoa que poderá fazer a diferença em seu país e no mundo. Eu sei que há exceções e que talvez isso seja meio óbvio, mas convivendo com um grupo tão especial quanto tornou isto mais claro pra mim.

Nada de ruim aconteceu durante a estadia em Miami. O furacão não chegou a cidade. Nenhum voo foi cancelado. Quase morri do coração achando que meu voo tinha sido cancelado, mas no fim tudo deu certo. Mas hoje no último dia, Cirenia, uma guapa chica del Mexico, teve uma péssima notícia: bandidos colocaram fogo em um cassino da sua cidade e várias pessoas foram mortas, dentre elas a mãe de um de seus melhores amigos. Ela ficou muito triste e culpada por estar tão longe da sua família. Isso foi um banho de água fria no grupo. Infelizmente, não é só no Brasil que a violência está por toda parte.

Bom, queridos, minha saudade já é grande, mas cada vez mais me dou conta de que está é uma oportunidade maravilhosa e creio que muitas coisas boas acontecerão comigo nesta trajetória. Só a chance de conhecer tanta gente fascinante de lugares que você nunca ouviu falar e que nunca imaginou que poderia encontrar te dá uma nova visão de mundo. E você entende a música do Milton que diz: “Viajar no fundo é ver que é igual o drama que mora em cada um de nós“. Diferenças culturais à parte, o nosso pano de fundo é sempre o mesmo. Além disso, nove meses passam rápido e logo estarei de volta. Prometo tentar escrever sempre pra que todos saibam as minhas peripécias aqui na terra do Tio Sam. Agora estou voando pra Detroit e esta semana deve ser hard pra encontrar um lugar pra morar. Torçam por mim!

3 comentários:

  1. Daniel Hastenreiter27 de agosto de 2011 22:59

    Poxa Maíra, tô felizaço por você!!! Lí todo o texto, que coisa bakana...ter te conhecido em Tiradentes já deu pra ter certeza que irá aproveitar muito tudo isso! Desejo toda a felicidade! Continue compartilhando esses momentos viu?! Bjs, boa sorte!

    Daniel Hastenreiter

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  2. Estou feliz por vc,com saudades,claro.Mas saber que está tudo muito bem faz uma enorme diferença!Trás o Felipe para cá! Coitada da menina mexicana...vi essa notícia do cassino na tv,foda!
    por aqui estou ralando da produtora,mas adorando tbm!
    o facebook me contou que alguém já é papai...
    amanhã devo sair com meu skatista revoltado favorito para tirar fotos. se cuida! mas se joga tbm! te amo!

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  3. Queremos atualizacao! :)

    Ass: Gente do 1122

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