4 de jul de 2011

Um átimo de felicidade

Enquanto tentava afastar a diária angústia das seis da tarde, aquela com que faz com que as nutricionistas incluam na dieta um pequeno chocolate ao entardecer, cansando os músculos na academia e tentando pensar em outra coisa além da minha tese, da viagem e de você, aproximo o halteres do nariz. E uma gargalhada me escapa. Sinto seu cheiro em meu relógio. O riso é inevitável e natural. Primeiro porque estava pensando em você e em como dois dias sem te ver já pareciam muito tempo. Segundo que achar qualquer vestígio teu em mim também era motivo de imensa alegria. Você estava literalmente me acompanhando por onde quer que eu fosse. Por fim, era irônico que você estivesse justamente no relógio. Pois era ele, o tempo, implacável, que justamente me preocupava. Eu ansiava para que as horas longe de ti andassem rápido e que os momentos perto escorressem lentamente na ampulheta mágica do amor. Além disso e mais que tudo, minha angústia se relacionava a minha ida para o exterior e que este afastamento tornasse em tons pastéis o que agora sinto como uma pintura viva e colorida. E a vontade de escrever é imensa e urgente. Peço ao professor caneta e papel e anoto tudo para que a ideia e o sentimento não se esvaiam. Imediatamente o que sinto é um alívio. As idéias se clareiam à medida que se tornam símbolos gráficos e aquilo que tenho tanto medo de escorrer pelos dedos de repente parece concreto no papel. O sentimento existe, ele está aqui agora e eu não quero que se vá. " Não quero que isso aqui dentro de mim Vá embora e tome outro lugar". Preciso contar isso ao mundo. Publicar. Eternizar.


É, você que é feito de azul,
Me deixa morar nesse azul,
Me deixa encontrar minha paz,
Você que é bonito demais... 

Tom Jobim e Aloysio de Oliveira




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