13 de mai de 2011

Admirável Mundo Novo


Bom, vamos encarar a cidade e ir para o outro lado do mundo que é São Paulo, nesta manhã de terça-feira indefinida, que tanto pode ser quente ou fria, londrina ou jamaicana, parada no trânsito ou movimentada na loucura do centro da cidade.

E aqui, dentro do metrô, tão moderno ou mais quanto o de Estocolmo, leio um dos últimos best-sellers americanos, daqueles que viram filme com a atriz Hollywoodiana. Por um instante, reparo no rapaz ao meu lado. Sua orelha tem alargadores como os da tribo yanomami e ele escuta alguma música estrangeira no último volume do ipod. Do outro lado uma pobre senhora, acometida pelo surto de conjuntivite, parece ser a velha Macabéa de Clarice. Talvez saiba escrever o próprio nome. E me assusto ao pensar que vista de fora, já devo fazer parte da paisagem, sem parecer destoante neste mosaico multicolorido, exalando algo globalizado e contemporâneo com minhas botas ao estilo Peter Pan (como vi nas garotas parisienses), a meia-calça petit poá, bermuda jeans boyfriend, blusa preta de cashmere, óculos escuros retrô (sim, dentro do túnel do metrô, e não sou a única!), bolsa de couro falso vermelha e minha mochila estadunidense de lona de paraquedas preta e garantia vitalícia.

Gosto desta sensação de me sentir harmonizada ao ambiente e de me sentir cosmopolita, sem saber se realmente o sou, e me pergunto se algum dia conseguirei sair de vez desta selva de pedra. Sem escolha, rumo para a esteira rolante, que me remete instantaneamente ao Charles de Gaulle, na cidade Luz, e é tão boa essa sensação de andar rápido sem todo o esforço físico de que tenho imensa preguiça. E assim, desviando dos transeuntes anônimos, parece fácil entrar na modernidade da metrópole que pulsa. E ao mesmo tempo tão surreal. Ao passar pela nova máquina de óculos escuros que se interpõe no caminho só me resta rir e pensar: “a que ponto chegamos, tentar vender óculos como se fossem Coca-Cola”. Agora, enquanto espero pelo trem, numa dessas inúmeras baldeações da vida, há na minha frente uma menina com um vaso de tulipas. Verdadeiras!? oO. O vagão já está em minha frente. Toda essa rapidez eficiente me atrapalha o surto de sensações repentinas e verborrágicas que me vem à cabeça tão facilmente e que sinto necessidade de escrever.

Termino um rascunho bagunçado, com as idéias principais, antes que elas me fujam. Ao meu lado um casal fala em chinês ou coreano, ou numa língua qualquer das inúmeras que a cidade pronúncia diariamente e que faz com que a humanidade residente se comunique. E a sensação vívida de perceber tudo que a cidade abriga, essa multiplicidade de cores, gestos e sons, me conforta. Mesmo sendo cruel, São Paulo tem uma infinidade de possibilidades. É difícil dizer o quanto isso é maravilhoso. Com o mundo que tem dentro de si, me preparou pra encarar o resto dele. E assim, acreditando estar ready pra alçar novos voos, sentir novos aromas, nuances e sentimentos, ligo pra agência de viagem e marco a passagem: Rio-Detroit 29-08-11.

Um comentário:

  1. gosto demais da mega são paulo, mas às vezes dá uma vontade de perceber mais harmonia no mosaico cosmopolita...
    seu jeito de escrever me parece solto, descompromissado, despretensioso... e é bom, bom, bom! parece que tenho acesso aos seus pensamentos... curti! tem o botãozinho curtir aqui? besos, mineira do meu coração. pri

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